lisieux
(lembrando o dia da libertação dos escravos)
Minha pele é estigma
responsável por tanto preconceito
por tanto sofrimento, escravidão...
Por séculos eu sofro
a falta de respeito,
e a discriminação.
Porém fui eu... ou meus antepassados
que fizeram florescer esta Nação,
com a força do meu braço,
o meu trabalho,
a minha luta e coragem sem iguais
é que o Brasil cresceu,
virou gigante...
Fui eu que arei a terra, plantei cana,
e nos engenhos, transformei-a no açúcar
fui eu que criei gado, cortei lenha,
garimpei rios, minas, puxei cargas,
e levei, enganchados nas ilhargas
os filhos dos patrões, juntinho aos meus...
Minhas filhas e meu filhos, como eu,
foram presos, foram mortos, abusados
açoitados feito bicho... desprezados...
Eu não tive quase nada e dei-me todo
e meu suor e sangue foram água
que regaram este solo do Brasil...
Minha pele foi estigma... e até hoje
eu sou visto como ser “inferior”,
mesmo quando eu estudo, viro “gente”
e conquisto um canudo de doutor.
Mas eu sei que para Deus, sou importante...
e só quero, meu irmão, meu semelhante,
ser olhado como igual, sem diferença...
E que sejamos nós, futuramente,
cidadãos brasileiros, tão somente,
sem que a cor nos cause tanta desavença.
BH - 13.05.09
quarta-feira, 13 de maio de 2009
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