Thalma Tavares
Eu sou assim, peregrino
feito ave caminheira
que passa estranha, ligeira,
sem pousar os pés no chão.
E este pássaro sem rumo,
num capricho inconseqüente,
quase pôs a noite escura
entre meus sonhos e os teus.
Mas no fundo de meus olhos
onde o teu rosto se esconde,
o sol dos teus me ilumina,
me engravida de esperanças.
E à porta do teu sorriso
eu bato o pó das sandálias
e descanso o meu cansaço
na ternura do teu ventre.
Mato depois minha sede
na doce fonte dos seios,
nas duas bicas rosadas
que o teu amor me oferece.
Depois a vida se acalma,
o amor refaz os seus rumos,
no rumo que os nossos passos,
decidirem caminhar.
Passageira de meus sonhos
serás nômade também,
terás o amor sem raízes
que não se prende a ninguém.
Mas se um dia tu quiseres
tirar teus braços do meus
eu calço minhas sandálias
e enfrento o pó do caminho...
Mas jamais irei sozinho...
O teu vulto irá comigo,
feito escravo da saudade
que decerto irei sentir...
E eu vivo assim, sem destino,
feito ave caminheira
que caminha a vida inteira,
sem ter um pouso no chão.
(lindo poema do meu amigo TT)
segunda-feira, 25 de maio de 2009
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