Thalma Tavares
Encheram-se de sombras
os caminhos do tempo em nosso rosto.
Somos a tarde despencando pelo ocaso.
Anoitece...
Percebes o luar em meus cabelos
e eu vejo estrelas extintas em teus olhos.
É música suave o ressonar dos ímpetos
no silêncio do sono que nos cobre.
Beijo-te a face de jaspe enluarada
e a boca úmida de orvalho.
Arrepios sonolentos me asseguram
que o amor apenas dorme.
Em meu anoitecer
sonham poetas tecendo auroras,
céus turquesas e poentes iluminados.
Em nosso anoitecer
somente os sonhos, os mesmos sonhos grisalhos
e cansados nos visitam.
Preciso velar teu sono de ânsias e suspiros,
mas o ermo se alarga e os anseios me vencem.
Então te ergues e vens,
com boca de ternura e olhar de lua plena,
vestida de sonho e bruma, me dizer
que partirei antes da aurora, mas voltarei
quando tramonte o sol lá no horizonte.
Anoitecemos...
Os caminhos do tempo em nossa face
dizem que já não somos o dia
nem a tarde tramontando no poente,
mas a noite - fornalha de sombras e saudades -
sem promessas de novo amanhecer.
x-x-x-x
São Simão, 12/7/09
(LINDO poema do meu amigo Thalma... sempre inspiradíssimo!)
sábado, 15 de agosto de 2009
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