quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

SINAL FECHADO

lisieux

Na luz vermelha
ela salta
aparece na janela,
flanela
na mão,
o seio em botão
aguaceiro no olhar.

Franzina, menina
de olhos tão negros
qual jabuticaba
que corre entre
entre as vagas,
dos carros parados...

E vende pastilha,
ciclete, bombom,
ou pede trocados
pra matar a fome
da mãe, dos irmãos

Daqui alguns anos,
ou meses, talvez,
terá no seu ventre
um filho também.

Menino ou menina,
terá mesma sina...

Pedir no sinal,
vender, mesmo dar...

o olhar
o choro
a fala
o corpo
a vida...

BH – 02.11.07

(para as meninas de rua, anjos abandonados de minha cidade)

Nenhum comentário:

Postar um comentário