domingo, 15 de fevereiro de 2009

ANTIQUÁRIO

lisieux

Lembranças de coisas antigas:
Lençóis de cambraia, anáguas de renda em gavetas de cômodas escuras e pesadas, com cheiro de naftalina.
Licor de genipapo, geléia de jabuticaba, compota de cereja, em lindas garrafas e compoteiras de cristal sobre aparadores.
Pinguins na geladeira... frutas de cera na fruteira , jarros de copos-de-leite sobre caminhos de mesa de crochet.
Cortinas pesadas de veludo...espessos tapetes coloridos e macios... penteadeira com espelho ovalado, repleta de bibelôs; aquelas delicadas figurinhas de porcelana, tão frágeis, que enfeitavam os quartos das donzelas.
Saudade...
Saudade dos enfeites, lindos e pequeninos, que encantavam os meus olhos de criança.
Infelizmente, hoje em dia eles quase não existem mais. Foram trocados por peças de plástico, inquebráveis, resistentes aos ataques das crianças, mas grosseiras, sem viço, sem vida.
Bibelô, permanece apenas o meu coração: quebradiço, delicado, não-resistente a quedas, pancadas ou movimentos bruscos.
Pequeno bibelô, inultimente belo, porque partido; portanto, sem valor. Nenhum super-bonder pode restituir-lhe a forma original.
Ah... como eu queria um coração de plástico, funcional e feio.
Mas inquebrável e resistente às intempéries
e à passagem inexorável do tempo.

BH – 23.04.04

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