BERRO
lisieux
Berro em tom bem alto,
guturalmente
o grito de um primata
que se balança
no arvoredo
em densa mata
Berro à natureza,
aos quatro ventos
às marés...
Berro aos sopés
dos montes,
nas campinas
e berro nas cidades,
nas esquinas
botequins...
Berro porque sinto
a dor da humanidade,
das galés...
e porque tenho na pele
as cicatrizes
os lanhos dos chicotes
e o olhar de pânico
mecânico
dos campos
de extermínio.
Berro e o grito
tenebroso
e dolorido
sai da alma
cobre-me o corpo
e todos os sentidos...
Berro a solidão dos
dias-cinza
o frio das estepes
e do deserto o ardor...
berro porque sinto
o preconceito
o desespero,
e a dor.
Berro porque sinto
o impacto do mundo
e o peso dos segundos
berro, enfim...
A imensa solidão
da eternidade
e exorcizo essa saudade
que há em mim...
BH - 10.05.04
02h36m
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
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