segunda-feira, 2 de novembro de 2009

REMEXENDO O BAÚ...

BERRO
lisieux

Berro em tom bem alto,
guturalmente
o grito de um primata
que se balança
no arvoredo
em densa mata

Berro à natureza,
aos quatro ventos
às marés...

Berro aos sopés
dos montes,
nas campinas

e berro nas cidades,
nas esquinas
botequins...

Berro porque sinto
a dor da humanidade,
das galés...

e porque tenho na pele
as cicatrizes
os lanhos dos chicotes
e o olhar de pânico
mecânico
dos campos
de extermínio.

Berro e o grito
tenebroso
e dolorido
sai da alma
cobre-me o corpo
e todos os sentidos...

Berro a solidão dos
dias-cinza
o frio das estepes
e do deserto o ardor...

berro porque sinto
o preconceito
o desespero,
e a dor.

Berro porque sinto
o impacto do mundo
e o peso dos segundos

berro, enfim...

A imensa solidão
da eternidade
e exorcizo essa saudade

que há em mim...

BH - 10.05.04
02h36m

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