quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

PRISIONEIRA

lisieux

Infelizmente, eu sou essa mulher
que se cerca de muros tão medonhos,
embora ela cavalgue, quando quer,
por entre nuvens, no corcel dos sonhos.

Sempre que solta as rédeas do seu verso
o seu desejo ela vai derramando.
E ela só pára o seu galope quando
novo poema surge, assim disperso

como os seus pensamentos mais profanos...
E ela reza, um credo de esperança,
volta seus passos, torna a ser criança
e busca ser igual a outros humanos...

Mas ela sabe: não é desse mundo
o sentimento que ela traz no peito
e que jamais encontrará um jeito
de esquecer o seu amor profundo...

Então se cerca novamente... e os muros
erguem-se altos, solitários, duros
e ela morre, no jardim sem flores
sem poesia ou sonhos... sem amores.

BH - 01.08.08

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