terça-feira, 15 de setembro de 2009

A NOITE DO POETA

Thalma Tavares

Eu me perdi na magia das noites.
Sou caminheiro do sonho
num país de penumbras.
Tenho a fascinação
do mistério das sombras
e à cada crepúsculo sinto
adolescer mais um poema.

A noite criou raízes em meu ser,
penetrou profundo o meu interior.
Meu amor é uma árvore de estrelas
que tece o chão enluarado
de sombras e fantasias.
.
Mas o sol é um operário de fogo
que rouba de meus olhos
pedaços de minha noite.
Assim, haverá sempre uma saudade
de ramos estiolados e dispersos
sob um sol sem poesia.

Em breve surgirá a aurora a nos brindar
com seu buquê de angústias,
com seus monstruosos ruídos...
E uma vez mais me chamarei tristeza.

Mas haverá sempre um crepúsculo
no horizonte, anunciando a noite
com seus silêncios e mistérios,
solidão e nostalgia.

A noite é catedral onde o silêncio reza,
é lá que a inspiração pula do peito
e tange o bandolim da fantasia.
E eu, acordando de um tédio ensolarado,
juntarei os meus ramos dispersos,
direi boa noite à Lua plena
e serei novamente poesia...

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